quarta-feira, 8 de abril de 2009
Grupo C
Arte e tecnologia, uma nova relação?:
A arte tem como natureza de sua criação, o objetivo de modificar o que está em voga, que criar discussões diante do comum, de provocar e surpreender a sociedade fazendo-a refletir dos conceitos e padrões que vem seguindo. Por buscar romper com os padrões do presente, a arte recebe também um caráter antecipador, como se buscasse sempre “acordar” as pessoas para os avanços que estão sempre por vir.
Com o passar do tempo, cada vez mais conhecimento passou a ser produzido, por conseqüência são necessários novos meios de se acumular essa produção. Os computadores foram o principal marco para o armazenamento de dados. Um bom exemplo disso são as bibliotecas, que não mais têm extensas pastas com os volumes do acervo enumerados. No entanto, a tecnologia avança sem freios e pouco a pouco vai tomando o espaço do homem em tarefas corriqueiras.
quem critique esse avanço descontrolado, e analisam conseqüências graves dessa tecnologia, industrialização e automação; mas há também quem defenda que as máquinas podem propiciar maior conforto, e vêem com otimismo toda essa tecnologia.
A arte contemporânea e tecnológica é mais aberta, propondo novos meios de produção e perdendo um pouco do conceito de autoria. A possibilidade de conexão permite a várias pessoas, mesmo que em lados opostos do globo, uma interatividade em questão de segundos que acaba tornando conjunta a maior parte da produção artística.
A tecnologia, ainda, permite novos meios de produção, de difusão e de recepção da imagem, trazendo consigo um mundo de novos significados. A arte tecnológica, no entanto, carrega o fardo de parecer tirar a materialidade da produção artística.
A arte tem sentido ambíguo, e, como já dito anteriormente, tem como objetivo tirar as pessoas do senso comum e trazê-las a discussões do novo. Embora pareça que tecnologia remeta sempre às discussões da arte contemporânea, é válido ressaltar que arte e técnica significaram a mesma coisa para o renascimento, ou seja, a inovação e a modernidade se caracterizam pela sintonia da arte com as tecnologias de ponta de determinado período.
Com isso então pode ser escrita uma nova história da arte, onde tudo se torna mais dinâmico; a concepção de espaço é modificada, por exemplo, com o emprego da “perspectiva”, que mudou as maneiras de ser ver o mundo.
A tecnologia entra nesse aspecto como o elemento que confere visibilidade ao invisível, logo, o que se vê em uma tela de computador, é apenas uma das possibilidades geradas por aquele código desenvolvido pelo artista. Essas freqüentes mudanças na concepção de espaço que periodiza a história da arte.
A visão global da arte agora é algo recheado de novas combinações. Essas combinações desencadeiam em um conjunto de transformações que, por conseqüência, interferem na concepção da mesma obra de arte, gerando múltiplas interpretações. A arte, apesar de ser realidade, não quer mais apenas se restringir a reproduzi-la, ela quer ainda o poder de interferir na mesma. Antes ela capturava cenas do mundo, hoje ela é capturada repetidamente gerando novas interpretações.
A incorporação de máquinas eletrônicas põe fim aos suportes convencionais – tela, papel, madeira – e às ferramentas – lápis, tinta, nanquim -, gerando ainda uma nova visibilidade para a arte.
Essa nova concepção de arte é mais de simulação, ou seja, são ciberespaços, redes virtuais, transmissão por satélite. Esses espaços são como cenários que levam ao sujeito experimentar novas sensações e percepções.
A arte nos orienta no mundo, pois mostra formas de percepção e de como agir, pensar, fugir da rotina, ultrapassando e reinventando limites. A arte utilizando devida aparelhagem é ainda mais expansiva, e também ainda intimida muitos dos espectadores.
Ideário e sintaxe: perspectivas para a história da arte e tecnologia das três últimas décadas do século:
“Um olhar superficial sobre a história da arte do século XX revela a desproporção provocante entre adventos e desenvolvimentos”
O que faz um Historiador da Arte?
O trabalho de um Historiador da arte é o de um expert e, as vezes, de um historiador: reconhecer as obras, sua autenticidade, emitir um julgamento crítico acerca de seus valores históricos atuais, situá-las no contexto da evolução histórica de cada período, aproximá-las, se for o caso, arqueologicamente, a fim de recuperar as etapas técnicas de sua execução, procurar documentos que a eles se relacionem e, finalmente, apresentar suas obras de maneira a torná-las compreensíveis a um público mais amplo.
O alvo da História da Arte é trabalhar com valores definidos pelos grupos humanos, pois o conceito de arte se vincula a um tipo de valor por sua vez ligado a um trabalho e suas técnicas, sendo resultante de atividades mentais e operativas.
Pode-se afirmar da existência de uma operação de convergência de dois movimentos de ação do historiador: um envolvendo a anotação dos primeiros registros e o outro a reflexão imediata a respeito destes.
Dividiram-se em dois territórios (que na verdade estão em comum) as perspectivas da História da Arte: o Ideário e a Sintaxe, em contínua modificação.
A meu ver, nos anos 70, o primeiro elemento, o Ideário, era muito mais vital, ativo, referencial e paradigmático que o segundo. Enquanto, nos anos 80, a ênfase se inclina para a Sintaxe, influenciando no curso da história a crescente importância da interatividade. Esta não é um elemento novo a ser detectado na História da Arte Contemporânea, cabe-me lembrar as primeiras experiências, fora do campo da Arte e Tecnologia, no início dos anos 60, com o grupo de artistas ligados ao neoconcretismo. No contexto deste movimento, emergente no Brasil, especifica-se e elabora-se um preceito humanista de entrega da obra para que o outro, o público, a complete com sua intervenção: como o pioneiro da arte ambiental Hélio Oiticica, e os objetos manipuláveis e não representacionais de Lygia Clark.
Voltando à questão das abordagens direcionadas ao ideário e a sintaxe, se estabelece uma contradição que, harmonicamente, se integra no discurso de idéias. Em outras palavras, a constatação da impossibilidade de, a partir do final dos anos 80, obter-se registro mediamente passível de um arrolamento de todas as operações e idéias envolvidos no processo de arte e tecnologia. Por outro lado, se idealmente isso fosse possível, o resultado seria uma crônica neutra, a simples constatação de eventos sem restituição mínima do passado destas operações artísticas.
A estratégia para superar o impasse da pesquisa foi a de focalizar o ideário do artista que, desde os anos pós-Segunda Guerra, vem se tornando um teórico, intérprete do seu trabalho. O discurso auto¬-referencial e interpretativo dos artistas vem crescendo em paralelo com os textos de filósofos, estetas e comunicólogos, mas continuam rarefeitos os discursos segundo a perspectiva da História da Arte.
Esta pouca presença dos historiadores da arte, envolvidos nesta problemática, se deve à explosão dos conceitos básicos da História no campo da tecnologia e arte. O ponto de partida é o estudo e o resgate das idéias ou do ideário dos artistas, operadores e pensadores envolvidos com outros meios anartísticos, as mídias, a partir da segunda metade dos anos 60.
O ideário que se dinamiza em operações com os novos meios parece estar preocupado com a natureza dos meios não convencionais, e com suas possibilidades não só de operacionalidade, mas de jogo poético de percepção, emissão, comunicação e recepção. Claramente no Brasil constroem-se circuitos clandestinos de distribuição dos trabalhos de pessoa a pessoa, como as séries On-Off ou aproveitando o sistema de distribuição dos correios, atingindo dimensões nacionais e internacionais.
Se existem a consciência e a denúncia da indústria cultural entre os artistas, a preocupação política não é constante. Com efeito, a pesquisas são direcionadas para outras facetas da poética dos meios não convencionais, basicamente os que usam mídias da comunicação.
Neste momento começam a se delimitar historicamente os novos territórios da arte e mesmo da cultura, relacionados com as tecnologias, pois existe desde os anos 70 a profunda consciência do antagonismo entre o pensar e o fazer arte dos artistas operadores das tecnologias em confronto com os artistas produtores da arte de mercado e seu sistema e espaços (galerias, museus, eventos internacionais etc.). Os primeiros estabelecem seus próprios circuitos de ação e veiculação – cooperativas, “famílias” de produção de arte coletiva, já se definindo, assim, as tribos dos anos 90.
Com raras exceções, críticos e historiadores de arte pouco acompanharam as propostas desta natureza. O vazio do discurso de idéias é ocupado pelas vozes que partem dos artistas, que passam a falar dos seus trabalhos, suas intenções, conduzindo uma dinâmica de idéias e contraste com a falta de expressão da História da Arte relativa a este período. Os anos 80 são caracterizados por grandes modificações no curso da arte com as tecnologias; são modificações decorrentes da universalidade e o impacto da informática e a crescente complexidade dos multimídia, intermídia e operações telemáticas.
Integrado o processo da pós-modernidade, o contexto da arte e tecnologia na verdade se apóia na performance do computador. Ao dispor de uma ferramenta tão poderosa, é o momento da emergência de três questões decisivas: o status da imagem gerando uma nova estética das mídias, a telemática e a universalidade e novo humanismo ou humanismo biônico-ciber-humanismo.
Nos anos 80, as questões relativas à sintaxe prevalecem em relação às do ideário estético/poético nas operações de arte e tecnologia, trazendo as reflexões direcionadas à instabilidade da imagem à estética da comunicação e universalidade da cultura da microinformática. Nesta época as universidades, os museus e os institutos de pesquisa têm um papel de ancoragem das operações artístico-tecnológicas devido às facilidades de equipamentos e projetos de pesquisa relacionados à inteligência artificial.
Nos anos 90, o curso histórico da arte e tecnologia edifica fundamentos do novo humanismo. As idéias giram em torno do resgate integral do ser humano. As compartimentações do saber, as especificidades, heranças do século XIX são derrubadas.
Uma linha importante desta trajetória histórica é a relação que se estabelece entre a dimensão cerebral do saber, em interface com as estruturas eletrônicas, assinalando um ponto de mutação da humanidade.
Arte e Tecnologia: produções recentes no evento “A arte no século XXI”:
- O evento Arte do Século XXI: a Humanização das Tecnologias , voltado para a discussões das transformações ocasionada pelas relações entre arte e tecnologia. Nesse fim de século teve a curadoria geral de Diana Domingues, como coordenador da exposição Gilbertto Prado e como coordenadora do colóquio Ana Claudia Mei de Oliveira .
- Teve como objetivo o de trazer algumas produções artísticas recentes utilizando dispositivos tecnológicos na intenção de revelar novas poéticas.
- As obras foram expostas pela rede internet, imagens e interações via computador e instalações
- Foram cerca de 25 obras, entre trabalhos individuais e em grupos
- Alguns dos artistas e suas respectivas obras:
• Stéphan Barron - Le jour et la nuit
• Suzete Venturelli - Construção e Animação do Corpo Humano através da Computação Gráfica
• Wagner Garcia - Tinkering with Evolution
• Ruggero Maggi - The Birth of Ideas
• David Rokeby - Very Nervous System
A obra de arte na era da reprodutibilidade técnica:
A obra de arte sempre foi reprodutível manualmente, quando era feita, por exemplo, por discípulos dos grandes artistas. No entanto, a partir da reprodutibilidade técnica, a obra de arte passa ser reproduzida de uma forma mais precisa, formas essas que foram evoluindo ao longe da história, começando pela xilogravura em chapas de cobre, e indo até a utilização de instrumentos modernos, como a fotografia.
Porém, ao se reproduzir uma obra de arte, pode-se dizer que, ao consumar este fato, a aura da obra de arte é atrofiada. A aura está relacionada a questão da unicidade da obra, ou seja, ‘o que e o agora’ da obra, que é o conteúdo de sua autenticidade, o que identifica o objeto e sua história. A reprodução da obra desvaloriza “o aqui e o agora”, fazendo com que a obra pare de ter uma existência única e passe a ter uma existência serial, que, indo ao encontro do telespectador, faz com que o objeto seja atualizado. Assim, a destruição dessa aura seria como se fosse mudar a forma de percepção da obra de arte.
Além disso, vale ressaltar que a obra de arte que antes possui um valor ritualístico, ou seja, um valor de culto, com a reprodutibilidade técnica, a obra passa a ter um valor de exposição, ou seja, a obra passa a ser criada para ser reproduzida, como por exemplo no cinema, onde a reprodutibilidade técnica do filme tem seu fundamento imediato na técnica de sua produção, que permite a difusão em massa da obra.
Ao se emancipar dos seus fundamentos no culto, na era da reprodutibilidade técnica, a arte perdeu qualquer aparência de autonomia, porém a época não se deu conta da refuncionalização da arte, decorrente dessa circunstância. Devido a isso, foi questionado se o cinema e a fotografia eram ou não arte. Tentaram assim, inserir na obra cinematográfica alguma característica para que ela fosse considerada arte. Dessa forma, alguns teóricos introduziram na obra elementos vinculados ao culto. Assim, se for observado, até nos dias de hoje alguns autores buscam nessa mesma direção o significado do filme e o vejam não mais na forma do sagrado, mas na do sobrenatural.
Ademais, com a reprodutibilidade técinica as massas passaram a ter mais acesso às obras, produzindo assim um novo modo de participação nas mesmas. A massa procura na obra a distração, diferente do conhecedor de tal coisa, que aborda a arte como recolhimento. Assim é definido os conceitos de reprodução ótica e tátil, respectivamente.
Mudança de paradigma na criação de imagens:
- A técnica a contrapelo da ideologia:
A oposição entre cultura e técnica, entre homem e máquina, é falsa e sem fundamento. A ideologia que vê a técnica como uma mera montagem de matéria, sem significação, reflete uma postura maniqueísta que opõe a cultura à civilização, o corpo ao espírito.
Como afirmou P. Valéry no seu ensaio A Conquista da Ubiqüidade de 1934, as artes se transformaram radicalmente pela influência dos meios técnicos de produção social. Os meios técnicos de produção da arte não são meros aparatos estranhos a criação, mas causadores dos procedimentos do processo criador das formas artísticas que possibilitam.
Toda arte está situada no cruzamento de três linhas evolutivas, a elaboração das formas de tradição, do presente e da recepção, dando origem a vários vetores como: - slide – Assim fica evidente que a tecnologia dilata as fronteiras do passado, abre perspectivas para o futuro e coloca em crise o presente, abrindo novos potenciais para a invenção.
Passado, presente e futuro; invenção, produção e significação estão atravessados pelas novas formas tecnológicas. Ou, como diria Wiener “o pensamento de cada época reflete-se em sua técnica”.
A pergunta não é se as tecnologias são ou não arte. A questão correta é esta: o que estas tecnologias fazem com a arte? Ou como os produtores “artísticos” se colocam diante desse fenômeno? Estamos, sem dúvida diante de um novo fenômeno, no qual os repertórios antigos não servem para o abordar.
Nesta contemporaneidade está se processando uma mudança significativa nas formas de representação iconográficas, mudança esta promovida pelas mutações tecnológicas em curso.
- A imagem artesanal do Único: uma metáfora:
A imagem nascia nas mentes pré-históricas como modelo cosmogônico. A criação de imagens processava-se através da imagem-modelo-mental como forma de energia em ressonância com seu suporte e instrumento. Era a imagem essencialmente mágico-religiosa e unívoca da era da Grande Caça, a imagem do mito... da integração metafísica entre o Celeste e o Terreno. Uma imagem demiúrgica.
Com a invenção da escrita muita coisa se transforma, o pensamento racional torna a imagem religiosa em profana e física e a imagem do Cosmos é substituída pela dos homens, do deus-artísta. E as imagens passaram a ter outras interpretações.
Energia e arte são dois aspectos que se realimentam e participam da mesma natureza.
Na produção imagética pré-industrial, segundo o modelo oriental, o espontâneo e o reflexivo encontram-se em harmonia, o segundo construindo o primeiro, ressonantemente.
- A imagem industrial: o Reprodutível:
O processo se inicia no Neolítico (cestaria, tapeçaria, tecelagem, etc.) continua depois com as artes gráficas, que consubstanciam como imagens técnicas de massa.
No processo de invenção que visa à reprodução, a parte reflexiva é encapsulada no projeto e depois interpretada pela máquina. Da criação até a produção o projeto atravessa sintaxes, esquemas, normas, onde é possível o desenvolvimento e controle científico, tanto quanto estético.
O processo industrial é essencialmente científico. Podem-se distinguir três aspectos nas relações entre imagem-máquina: Reprodução, Produção e Kitsch.
- A imagem pós-industrial: o Disponível:
A terceira fase da Revolução Industrial, da era eletrônica, supõe um salto revolucionário. Se o modo de produção industrial se caracteriza pela produção de imagens a partir de artefatos ótico-mecânicos (fotografia) ou eletromecânicos, a produção pós-industrial caracteriza-se, dominantemente, pelo uso de aparelhos de natureza numérica e digital (infografia ou computação gráfica) e fotônica (holografia) que permitem produzir informação visual, verbal e sonora que, possivelmente, serão traduzidas em objetos ou, ainda, transmutados em outras linguagens, em processos intersemióticos de multimídia.
- Tipologia de imagens:
Conforme os caracteres de seus suportes, as Novas Iconografias podem ser: Numéricas ou digitais, Eletromagnéticas e Holográficas. As novas iconografias eletrônicas têm sua essência na luz. Também são produto das relações entre o analógico e o digital, que se combinam para quantificar e qualificar a informação.
O conjunto das imagens eletrônicas de cunho digital pode ser articulado em três categorias: Imagens de Síntese, Imagens processadas e Composição de imagens.
segunda-feira, 6 de abril de 2009
Grupo B (continuação)
Afinal, o que é a ciência? Como nasceu? Como surgem as teorias científicas? Há limites claros entre ciência "verdadeira" e "falsa"? Seria a ciência objetiva e racional do início ao fim?
No texto “De Arquimedes a Einstein: a face oculta da invenção científica, o autor busca a derrocada de “verdades universais” sobre a ciência de um modo geral. O que seria da ciência sem grande influência das artes? É a proposta de indagações que Pierre Thuillier, o autor, consagra os ensaios aqui reunidos. Trata-se de estudos de caso destinados a mostrar a verdadeira imagem das atividades científicas. Para isso, são abordados desde a noção de espaço e perspectiva no Quatrocento até a teoria atômica, de Da Vinci a Newton, de Galileu a Darwin, de Arquimedes a Einstein.
Como seriam realizadas grandes invenções, sem a dimensionalidade e perspectiva; que os grandes nomes do renascimento alcançaram, ou até mesmo como grandes cientistas seriam capazes de formulação de grandes e inventivas teorias, que com o passar do tempo foram explicadas, se na verdade não existisse um pouco se quer de intervenção dos artistas.
No texto Pierre Thuillier, coloca em questionamento a ciência clássica e faz com que reflitamos, a real posição das artes no mundo. De épocas longínquas, vindas de Arquimedes; passando por Newton e Darwin e finalizando em plena modernidade, ou melhor contemporaneidade com as grandes, e porque não mirabolantes teorias de Einstein.
Sendo assim, o texto se mostra de incrível valor para os profissionais que se envolvem tanto na área tecnológica como na área artística, pois de forma racional; existe um constante, porém nem sempre inovadores os questionamentos feitos ao leitor.
Grupo B
Resumo Grupo B: Arte e Tecnologia - Arte e Ciência
Interação Arte e Ciência
As fronteiras entre arte, ciência e tecnologia não se sustentam mais. E algumas exposições mostraram isso claramente, como Les Immatériaux, exposição organizada em 1985 por Jean-François Lyotard. Ela mostrava como imagens formadas por aparelhos eletrônicos poderiam também ser agradáveis no âmbito estético.
As imagens eletrônicas já povoam o imaginário do homem contemporâneo, porém esses artistas (que, por se utilizarem de conhecimento nas ciências exatas, da arte, entre outros, para construir suas obras, já nem sabemos como denominá-los) fazem surgir inúmeras possibilidades ao se apropriarem da tecnologia de várias formas, re-construindo seu modo de operar, adicionando novas funcionalidades, ampliando possibilidades nunca antes imaginadas pelos cientistas que as criaram.
Desde a Grécia até o Renascimento, a arte e a técnica andavam juntas, sem quaisquer distinções, como, por exemplo, Leonardo da Vinci, que pintava telas, mas também estudava a anatomia humana, entre várias outras coisas.
Vários outros movimentos artísticos mais recentes também se utilizavam de descobertas científicas. Ou seja, tudo tem caminhado para uma interação completa entre arte e ciência, uma influenciando a outra, fundindo-se em uma coisa só.
Há vários exemplos dessa integração arte/ciência/tecnologia no Brasil, entre elas Waldemar Cordeiro (considerado pioneiro), Mário Ramiro entre outros, cujos exemplos serão citados com mais clareza na apresentação oral.
Leonardo da Vinci: roteiro para um debate
Voltando para o Renascimento e para Leonardo da Vinci, vemos nele um exemplo perfeito da máxima interação entre arte e ciência.
Leonardo da Vinci, famoso artista e cientista dos séculos XV e XVI. Com múltiplas habilidades foi prestigiado por príncipes, reis e papas. Suas obras eram representações fieis a realidade, contrapondo-se a realidade idealizada de outros artistas de seu tempo.
Leonardo tinha sua obra associada a uma linha de pensamento mecanicista, diferenciando das linhas aristotélicas e platônicas.
Para muitos, Leonardo é considerado o maior gênio de todos os tempos, por atuar em diversas áreas da ciência e da arte. Entre suas habilidades, estão a de pintor, escultor, arquiteto, engenheiro, matemático, químico, botânico, geólogo, cartógrafo, físico, mecânico, escritor, poeta e outros. Mas sua principal atividade foi a de engenheiro de fortificações, máquinas e hidráulica.
Tem como grande influência o artista Verrochio, dono do atelier onde se formou quando jovem. Leonardo redesenhou e aperfeiçoou muitas máquinas inicialmente projetadas por engenheiros que o influenciaram como Brunelleschi, Mariano di Lacopo e Francisco di Giorgio.
Seu método de observação e rigor de suas representações gráficas freqüentemente acompanhadas por textos descritivos abriram novos caminhos no estudo e compreensão da natureza.
Leonardo defendia exaustivamente em seus textos a grande importância da pintura, demonstrando que essas obras eram mais precisas e representavam mais a realidade do que as poesias e palavras. “A ciência mais útil é aquela da qual o fruto é mais comunicável...”
Leonardo estudou a teoria da perspectiva e particularmente, o papel da luz e das sombras na representação pictórica.
As obras de Leonardo e outros cientistas de seu tempo formaram os princípios e valores com que se construiu a sociedade moderna e as tecnologias de nossos dias. Ele introduziu inúmeras inovações em muitas dessas máquinas, e observou detalhes da natureza que nunca foram percebidas antes. Para ele, era importante registrar a cada descoberta, suas aplicações, para que esta ciência não fique sem utilização.
Leonardo registrou inúmeras observações e propostas de experiências demonstrativas de mecânica e outras áreas. Para os historiadores, ele descreve e sugere realizar várias experiências, mas a maioria dos desenhos das máquinas não há registro de medidas numéricas que comprovem isso.
Abaixo, exemplos de experiências de física originais, que tiveram observações detalhadas de sua realização.
A força do atrito, Movimentos vibratórios, Propagação das ondas e superposição de movimentos ondulatórios na água, A semelhança entre o movimento do ar e da água, O comportamento dos vasos comunicantes, O princípio de continuidade dos fluxos de escoamento da água, Sobre a velocidade de circulação da água, A solução do problema de Alhazen, O arco-íris, A bússola.
Leonardo também escreveu várias reflexões sobre estudos de pintura, cores e desenho em perspectiva, ilustrando seu pensamento e método de trabalho.
Ele explica como se devem utilizar as técnicas para atingir um ótimo resultado. Exemplo disso é quando ele detalha as técnicas de perspectiva linear e seus limites. “Na pintura, três tipos de perspectiva são usados: diminuição do volume dos corpos opacos, diminuição e o apagar de seu contorno e diminuição e atenuamento da cor com a distância.”
Exemplos destas reflexões: A pintura e a perspectiva, A perspectiva linear e seus limites, Espelho como o mestre dos pintores, Contrastes de sombra e luz.
Para Leonardo, era imprescindível o bom relacionamento entre prática e teoria, visto que um sem o outro é o mesmo que um piloto que embarca sem timão e sem bússola, que não saberá nunca para onde vai. A prática deve sempre se basear num sólido conhecimento teórico.
Comparando a pintura com a poesia: Como dito anteriormente, Leonardo defende a grande importância da pintura em relação à poesia. O olho é a principal via pela qual se aprecia a obra da natureza. “... e se você poeta, pinta uma história com sua caneta, o pintor a retrata com um desenho, de modo mais satisfatório e menos aborrecido de ser entendido...”.
Leonardo também se meteu a desenhar e escrever projetos de uma “Cidade Ideal”, que foram reconstruídos em maquetes expostas na mostra “Leonardo Universal”.
Abaixo, pontos onde Leonardo evidencia sua preocupação:
Plano de uma cidade com vias em dois níveis, Como construir e manter limpa uma estrebaria.
Leonardo realizou projetos com esboços e descrições de objetos que visavam um grande feito entre os homens, que era o sonho do homem voar tornar-se possível.
Pára-quedas, Asas para voar e Helicóptero são exemplos de projetos seus.
Leonardo também deixou registros de um veículo automotor.
Arte, Arquitetura e Ciência no Renascimento Italiano
A arte de olhar e representar ganhou uma nova roupagem nos séculos XIV, XV, XVI. Conceitos desenvolvidos nessa época têm significado ainda hoje. Árabes e Banqueiros contribuíram em grande escala para o Renascimento. O confronto de idéias mostrou a existência de contradições e inconsistências. O novo olhar trazido pela perspectiva era compartilhado por quem questionava o movimento dos céus.
O movimento dos corpos nos céus é permanente, na terra é efêmero. Na antiguidade Heráclito fala sobre o movimento de rotação da terra. Tempos depois, Copérnico fala do movimento ao redor do Sol. A Gravidade é a força existente na Terra. Movimento uniforme e uniformemente variado.
A construção marca o início de uma nova fase na representação dos objetos, e da imitação da natureza. O espaço pictórico em Giotto e Lorenzetti.
Processos Criativos como Meios Eletrônicos: Poéticas Digitais
Um artista que procura cores formas, materiais, etc, não os tem como fim, mas como meio, portanto, não estão praticando ciência, dessa forma é preciso observar que não há uma arte científica, tampouco uma ciência artística, o que há, na verdade, é um “namoro”, uma relação por vezes amistosa e vantajosa entre ambas, uma vez que arte não tem compromisso com a verdade e sim com a estesia ou sensibilidade, algo instável.
Assim, a arte se mostra, mas não demonstra. No que tange esses conceitos, as ciências e as artes diferem principalmente no seguinte, que as primeiras devem visar resultados certos ou enormemente prováveis; as segundas podem esperar apenas resultados de probabilidades desconhecidas, com isso, podemos de certa forma, pensar que nas artes não ha solução porque simplesmente não ha problema, isso se torna claro quando olhamos e percebemos a história da arte, de como ela se apropria daquilo que esta a sua a volta, como a tecnologia influencia a arte e a mesma se utiliza disso para novos meios de expressão; o pensamento de cada época reflete-se em sua própria época.
Se tomarmos de exemplo em um processo industrial, percebemos arte e ciência em suas particularidades e peculiaridades. O processo é essencialmente cientifico ao analisar o modelo em partes, tendo um objetivo final, já o intercâmbio entre s partes, a montagem, a colagem, são fontes criativas surgidas da linha de montagem industrial, pois a ciência tem um propósito definido, entretanto, a arte não. Outro exemplo disso é como e a fotografia superou a crise das artes, não deixando a pintura de lado e tampouco a novo aparato técnico, provando mais uma vez que a arte não tem objetivos esperados como a ciência, e vive conforme a corrente de seu tempo, como fora mencionado anteriormente, e isso não parou assim; pouco mais adiante, no campo das imagens eletrônicas, foi trazido à tona novas possibilidades de representação de mundo, produzindo novas formas de linguagem de maneira a dividir essas imagens em três tipos.
Imagens eletrônicas: imagens de síntese; criadas totalmente por computador
Imagens processadas; imagens já existentes de um meio diferente e editadas por computador (tratamento de fotos)
Composições de imagens; imagens compostas; união de imagens
As imagens digitais são como a fotografia para as pinturas na época, John Cage diz: não é necessário renunciar ao passado; ao mudar as coisas, não e necessário perde-las. Com essa nova era e relações de arte ciência e tecnologia será preciso definir novos significados para obra de arte; criação; artista ou até mesmo autor.
Grupo A
Arte e tecnologia no Brasil: uma introdução (1950-2000)
A intersecção entre arte, ciência e tecnologia está presente na produção artística brasileira desde a década de 50. Porém é preciso que se estabeleça que nem tudo que foi produzido com recursos eletrônicos pode ser enquadrado como arte eletrônica, assim como nem tudo que recebe a denominação “arte e tecnologia” foi produzido com a mediação da máquina.
Para fins de organização de dados acumulados em 50 anos, a produção artística brasileira foi dividida em conceitos, não classes fechadas, para melhor visualização de seu conteúdo. Esses conceitos serão comentados a seguir.
1) Arte e comunicação
As novas produções com o uso da tecnologia contribuíram para o desenvolvimento das interfaces responsáveis pela sua própria produção, eliminando o abismo entre espaço real e virtual. As interfaces criadas com essa finalidade assumem diversas formas, ou se fazem passar por vários objetos, em atitudes próximas das naturais. Segundo Grau (2007), a interface de usuário pode ser utilizada pelo observador como ponto de contato na interação homem-máquina, na qual as estruturas de simulação projetadas para comunicação se unem aos sentidos humanos.
2) Arte em meios digitais
A manipulação e exibição de imagens só foram possíveis a partir da década de 50, com o aparecimento dos monitores capazes de exibir essas imagens e de plotters para impressão. Esses equipamentos muitas das vezes foram projetados para fins científicos, porém artistas souberam utiliza-los em seu meio e trazer consigo uma nova visualidade artística.
A holografia é uma técnica criada pelo físico húngaro Dennis Garbor em 1948, que consiste em pontos de um filme, chamado holograma, que armazenam informações sobre o objeto inteiro registrado, através de um código complexo microscópico. Quando a luz incide sobre esse suporte, as informações saltam dele, formando a imagem registrada em sua tridimensionalidade. Um grande artista que utilizou holografia foi Moysés Baumstein.
4) Arte na rede / Web art
A web art é a expressão artística mais recente, dentro do campo da arte eletrônica e que representa a fusão da arte-comunicação com a arte digital. Num certo sentido, esse novo conceito exprime a ideia de comunicação, agora aliada à rede mundial de computadores.
5) Hibridismo / Hipermídia
A expressão hibridismo, no campo das artes refere-se à quebra de fronteiras entre os suportes e as linguagens, tornando as imagens composições com as mais diversas fontes, utilizando fotografia, cinema, desenho, modelos gerado por computador e vídeos.
6) Música eletroacústica
A música eletroacústica despontou no ano de 1948, com os estudos musicais realizados por Pierre Schaeffer, que utilizava gravações de origem diversa, que eram remontados em estúdios por meio de colagens e montagens. Isso fez com que Shaeffer cunhasse o termo musique concrète para essa técnica usada por ele. Foi nas décadas de 50 e 60 que surgiram os primeiros laboratórios e centos de pesquisa a utilizarem meios tecnológicos para a produção musical. No Brasil ela iria se afirmar somente nos anos 90.
7) Poesia e novas tecnologias
As primeiras manifestações das poéticas ligadas às novas mídias foram esboçadas pelo grupo brasileiro Noigandres (Décio Pignatari, Augusto de Campos e Haroldo de Campos), criador da poesia concreta. Em linhas gerais, consiste na transcrição do texto do papel para a tela, negando a raiz gutenberguiana de que todo poema deveria ser impresso, apesar de ser possível trabalha-lo em outro suporte, com sincronização de imagem e som.
8) Videoarte e Vídeo instalação
A videoarte tem início no Brasil em 1974, mas as primeiras experiências foram tímidas e contraditórias, pertencentes aos meios plásticos, com evidente influência dos precários e ainda caros recursos técnicos, como o equipamento de vídeo portátil (portapack) único disponível na época. As vídeo-instalações surgem logo após o amadurecimento da terceira geração do vídeo, onde os artistas, com o auxílio das novas tecnologias, puderam contar com os novos suportes que não exigiam a gravação dos vídeos em fitas magnéticas, mas os exibia direto na tela do computador.
Arte e Tecnologia
Utilizar a técnica como parte da expressão artística é a grande mudança que chegou com a arte e tecnologia
Pesquisadores e artistas independentes revolucionam o olhar tradicional com as novas formas de expressão artísticas. Nanotecnologia, biotecnologia, arte on-line, trabalhos colaborativos e ativismo via web são as novidades em arte e tecnologia no Brasil. O Universia preparou um panorama histórico e um diretório de pesquisa para você.
Utilizar a técnica como parte da expressão artística é a grande mudança que chegou com a arte e tecnologia. O gênero já atraiu pesquisadores e artistas independentes de todo o Brasil. Praticada em museus, universidades e nas ruas, a arte e tecnologia tem muitas faces e nomes. Net art, web art, Internet art, mídia-arte, arte e técnica, arte e tecnologia. Atende por muitos nomes o novo campo de exploração de pesquisadores e artistas independentes de todo o Brasil. Utilizar a tecnologia como uma forma de expressão e questionamento crítico não é novidade. "O que muda na arte e tecnologia é a utilização de novos suportes artísticos, bem diferentes dos utilizados em pintura e escultura", diz o pesquisador Fábio Fon, mestre em multimeios pela Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) e pesquisador de arte e tecnologia da FAPESP (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo).
O surgimento e a diferenciação da arte e tecnologia no Brasil foi influenciado por tendências no exterior. Atualmente, diversas universidades pesquisam temas relacionados à arte e tecnologia e cibercultura. Instituições como SESC (Serviço Social do Comércio) e Paço das Artes (USP - Universidade de São Paulo) possuem exposições renomadas na área de arte e tecnologia. Há menos de cinco anos, a arte e tecnologia passou a fazer parte da Bienal de São Paulo. Em 2004, diversos artistas renomados participam do evento que atrai cada vez mais público.
Quando a arte encontra a tecnologia
Novas possibilidades e concepções se abrem para a produção artística com a webarte,
que inclui telemática, produção colaborativa, pixel por pixel, arte conceitual e até
fotografia digital.
Por Salomão Terra
Em 1992, a francesa Anne Cauquelin no seu livro Arte Contemporânea – Uma introdução, apresenta ao leitor uma nova forma possível de arte, a Arte Tecnológica. Isso nos deu a possibilidade de falarmos em termos como Arte Telemática, Pixel art, Digital art, Net art, Wiki art, etc.
A autora utiliza de duas possibilidades para explicar o diálogo entre arte e tecnologia: a primeira das novas tecnologias seriam os suportes de divulgação; fenômeno recente da indústria fonográfica que tem o site Trama Virtual como exemplo. O site foi esponsável pelo lançamento de revelações no cenário musical como: “Cansei de Ser Sexi” e “Monbojó” a uma massa de jovens em busca de novidades.
Na segunda possibilidade temos a utilização de ambientes digitais para a própria construção do objeto artístico, como exemplo a Web arte, que foi definida como sendo toda obra concebida, produzida, exposta e distribuídas exclusivamente em ambientes digitais. Como exemplo citamos a produção de músicas virtuais (eletrônicas) com a utilização do software Fruity Loops, também a Fotografia Digital que utiliza o Photoshop para alcançar resultados muito superiores aos recursos analógicos, a Pixel art em que se obtém o desenho de uma obra via junção de vários pixels formando as imagens digitais e também a Wiki art ( termo proveniente da Wikipedia) onde as criações literárias são criadas através de grupos autores internautas, a múltiplas mãos. Desta ação surgiram obras como ‘Q’ e ‘54’ famoso exemplo do coletivo italiano Wu Ming Foundation.
Convém se dizer então que, colocadas tais questões, ainda há um vasto campo de análise sobre o assunto. Questões diversas ainda surgirão e outras tantas ficarão sem resposta. Resta apenas acessar “webartes” e acompanhar, in loco, a concepção de novas formas de fazer artístico.
Arte e Tecnologia – Texto 2
O texto “Arte e Tecnologia” de Ivana Bentes cita obras de vários artistas renomados que foram apresentadas na exposição Arte e Tecnologia no Paço das Artes (São Paulo) em outubro de 1997. Estas obras contribuíram de modo definitivo para a reinvenção da relação arte-tecnologia onde a arte encontra nas tecnologias emergentes um campo de experimentação.
Mas não basta uma nova tecnologia para se produzir uma nova estética. Em 1971, Waldemar Cordeiro fundia o técnico, o estético e o teórico na chamada “arteônica” com intenção de relacionar a arte com as telecomunicações. Entre os anos 60 e 70, muitos artistas realizaram experimentações que se voltavam para a pesquisa audiovisual, como o “quase-cinema” de Hélio Oiticica, transcendendo assim a função inicial do filme e do vídeo, ou seja, criando um novo processo e não apenas uma forma de registro ou transposição de obras pré-existentes.
As artes plásticas encontram na imagem em movimento não simplesmente um novo suporte, mas um novo processo, uma nova linguagem, criando obras hibridas que exploram as características da imagem, que agora pode funcionar como suporte/material/componente da obra.
Nos anos 80 o vídeo experimental passa a ser reconhecido como domínio estético autônomo, “impuro”, em que imagens em diferentes origens se combinam numa fusão de campos e mídias.
Nas vídeo-instalações, a relação entre ambiente e dramaturgia, imagem e interação, ressurge revitalizada, criando jogos em que o espectador é inserido num processo de criação da obra e onde as ideias ganham demonstrações visuais: dispositivos tecnico-estéticos.
A proposta tanto de uma neutralização das imagens e da memória quanto a problematização do seu saturamento é o motor na criação de “campos” e paisagens vídeo-digitais, fragmentos de informação e ruídos que podem compor uma “paisagem” mental onde o artista convida o público a descondicionar os olhos.
Segundo Ronaldo Kiel, na arte contemporânea é preciso “crer para ver”. É como se ela nos despertasse para a realidade e sem a qual nossos olhos não saberiam ver. Essa relação entre o visível e o invisível é decisiva na relação arte e tecnologia quando o tecnológico torna-se condição, suporte, dispositivo para “fazer ver o invisível”.
Do conceitual ao sensorial. Um dos desafios da arte contemporânea é criar um pathos, sensação, mas, como muitas ela não é capaz, acaba por ser acusada de produzir a indiferença na audiência que pretendia mobilizar e excitar, matar de tédio. Esse desejo de envolver o pensamento num êxtase estético faz o artista procurar uma maneira de mobilizar o expectador, inserindo-o no ambiente e colocando-o “em fase” com a obra.
A relação da arte-tecnologia é indissociável de um quadro científico e cultural que passa pelos mais diferentes saberes: informática, neurociência, cibernética, design, com uma valorização das ciências do vivo, em que o modelo biológico cruza com o maquínico, o industrial, o informático.
Nos anos 90 apareceram objetos/seres híbridos produzidos por uma “arte evolucionária” que torna a evolução biológica e as proposições da biotecnologia como questões a serem trabalhadas pela arte. A própria imagem digital ganha hoje características do ser vivo, inserindo-se no que poderíamos chamar de um “teatro da individuação”, a autoprdução da imagem por metamorfoses, anamorfoses, e uma capacidade de se auto-organizar, evoluir e se individualizar, como as imagens fractais e outras imagens de síntese. A imagem ganha características do vivo da mesma forma que o vivo torna-se objeto estético.
Pesquisar, criar e projetar:relações entre design, arte e tecnologia
arte, tecnologia e interdisciplinaridade
Podemos citar a interdisciplinaridade da história do design desde o final do sec. XIX e inicio do sec. XX, estava relecinada e intríseca. temos que considerar que a tecnologia pode influenciar ou estruturar as relações no campo do design. A implantação de novos sistemas e procesos tecnologicos gera novas maneiras de criação e produção, fato que implica em processos geradores de aprendizado na troca de conhecimentos, experiencias e competencias. A tentativa de separação entre design e arte tomou corpo no Brasil pela necessidade de afirmação desta area como em campo especifico de conhecimento e de atuação profissional.
As inter-relações que podem se estabelecer entre design, arte e tecnologia como campos diferentes que dialogam e geram diferenças ricas possibilidades de trocas.
As tecnologias digitais e novas mídias se fortaleceram tanto atualmente, como se ampliaram para o campo do design, tendo um resultado muito produtivo sobre as relaçoes entre design, arte e tecnologia.
design e cinema: caminho interdisciplinar
O TCC Glaber Rocha os dilemas do ícone brasileiro, desenvolvido no ano de 200, pelo grupo Buraco no Papel, optou pelo foco temático design e cinema. O TCC é constituído por uma pesquisa, um projeto de criação, um CD-Rom, um website e uma peça gráfica.
A relação design e cinema, arte e tecnologia se traduz de forma rica.
design: criação e novas mídias digitais pela nova geração de designers
Imagens estáticas e em movimentos, de diversas naturezas (fotos, ilustrações, desenhos, animações e vídeos) convivem e se integram com sons, ruídos, trilhas e músicas. todos estes elementos interaqgem e se harmonizam com textos, tipografias, escolhas cromáticas, de diagramação, de ambientes e conteúdos. O conjunto todo é pensado perante as questões do usuário, da liberdade, da navegação, interação, informação, estruturados no universo da linguagem projetual e, por sua vez, relacionando criação e tecnologia.