segunda-feira, 6 de abril de 2009

Grupo A

Arte e tecnologia no Brasil: uma introdução (1950-2000)

A intersecção entre arte, ciência e tecnologia está presente na produção artística brasileira desde a década de 50. Porém é preciso que se estabeleça que nem tudo que foi produzido com recursos eletrônicos pode ser enquadrado como arte eletrônica, assim como nem tudo que recebe a denominação “arte e tecnologia” foi produzido com a mediação da máquina.

Para fins de organização de dados acumulados em 50 anos, a produção artística brasileira foi dividida em conceitos, não classes fechadas, para melhor visualização de seu conteúdo. Esses conceitos serão comentados a seguir.

1) Arte e comunicação

As novas produções com o uso da tecnologia contribuíram para o desenvolvimento das interfaces responsáveis pela sua própria produção, eliminando o abismo entre espaço real e virtual. As interfaces criadas com essa finalidade assumem diversas formas, ou se fazem passar por vários objetos, em atitudes próximas das naturais. Segundo Grau (2007), a interface de usuário pode ser utilizada pelo observador como ponto de contato na interação homem-máquina, na qual as estruturas de simulação projetadas para comunicação se unem aos sentidos humanos.

2) Arte em meios digitais

A manipulação e exibição de imagens só foram possíveis a partir da década de 50, com o aparecimento dos monitores capazes de exibir essas imagens e de plotters para impressão. Esses equipamentos muitas das vezes foram projetados para fins científicos, porém artistas souberam utiliza-los em seu meio e trazer consigo uma nova visualidade artística.

3) Arte holográfica

A holografia é uma técnica criada pelo físico húngaro Dennis Garbor em 1948, que consiste em pontos de um filme, chamado holograma, que armazenam informações sobre o objeto inteiro registrado, através de um código complexo microscópico. Quando a luz incide sobre esse suporte, as informações saltam dele, formando a imagem registrada em sua tridimensionalidade. Um grande artista que utilizou holografia foi Moysés Baumstein.

4) Arte na rede / Web art

A web art é a expressão artística mais recente, dentro do campo da arte eletrônica e que representa a fusão da arte-comunicação com a arte digital. Num certo sentido, esse novo conceito exprime a ideia de comunicação, agora aliada à rede mundial de computadores.

5) Hibridismo / Hipermídia

A expressão hibridismo, no campo das artes refere-se à quebra de fronteiras entre os suportes e as linguagens, tornando as imagens composições com as mais diversas fontes, utilizando fotografia, cinema, desenho, modelos gerado por computador e vídeos.

6) Música eletroacústica

A música eletroacústica despontou no ano de 1948, com os estudos musicais realizados por Pierre Schaeffer, que utilizava gravações de origem diversa, que eram remontados em estúdios por meio de colagens e montagens. Isso fez com que Shaeffer cunhasse o termo musique concrète para essa técnica usada por ele. Foi nas décadas de 50 e 60 que surgiram os primeiros laboratórios e centos de pesquisa a utilizarem meios tecnológicos para a produção musical. No Brasil ela iria se afirmar somente nos anos 90.

7) Poesia e novas tecnologias

As primeiras manifestações das poéticas ligadas às novas mídias foram esboçadas pelo grupo brasileiro Noigandres (Décio Pignatari, Augusto de Campos e Haroldo de Campos), criador da poesia concreta. Em linhas gerais, consiste na transcrição do texto do papel para a tela, negando a raiz gutenberguiana de que todo poema deveria ser impresso, apesar de ser possível trabalha-lo em outro suporte, com sincronização de imagem e som.

8) Videoarte e Vídeo instalação

A videoarte tem início no Brasil em 1974, mas as primeiras experiências foram tímidas e contraditórias, pertencentes aos meios plásticos, com evidente influência dos precários e ainda caros recursos técnicos, como o equipamento de vídeo portátil (portapack) único disponível na época. As vídeo-instalações surgem logo após o amadurecimento da terceira geração do vídeo, onde os artistas, com o auxílio das novas tecnologias, puderam contar com os novos suportes que não exigiam a gravação dos vídeos em fitas magnéticas, mas os exibia direto na tela do computador.

Arte e Tecnologia

Utilizar a técnica como parte da expressão artística é a grande mudança que chegou com a arte e tecnologia

Pesquisadores e artistas independentes revolucionam o olhar tradicional com as novas formas de expressão artísticas. Nanotecnologia, biotecnologia, arte on-line, trabalhos colaborativos e ativismo via web são as novidades em arte e tecnologia no Brasil. O Universia preparou um panorama histórico e um diretório de pesquisa para você.

Utilizar a técnica como parte da expressão artística é a grande mudança que chegou com a arte e tecnologia. O gênero já atraiu pesquisadores e artistas independentes de todo o Brasil. Praticada em museus, universidades e nas ruas, a arte e tecnologia tem muitas faces e nomes. Net art, web art, Internet art, mídia-arte, arte e técnica, arte e tecnologia. Atende por muitos nomes o novo campo de exploração de pesquisadores e artistas independentes de todo o Brasil. Utilizar a tecnologia como uma forma de expressão e questionamento crítico não é novidade. "O que muda na arte e tecnologia é a utilização de novos suportes artísticos, bem diferentes dos utilizados em pintura e escultura", diz o pesquisador Fábio Fon, mestre em multimeios pela Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) e pesquisador de arte e tecnologia da FAPESP (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo).

O surgimento e a diferenciação da arte e tecnologia no Brasil foi influenciado por tendências no exterior. Atualmente, diversas universidades pesquisam temas relacionados à arte e tecnologia e cibercultura. Instituições como SESC (Serviço Social do Comércio) e Paço das Artes (USP - Universidade de São Paulo) possuem exposições renomadas na área de arte e tecnologia. Há menos de cinco anos, a arte e tecnologia passou a fazer parte da Bienal de São Paulo. Em 2004, diversos artistas renomados participam do evento que atrai cada vez mais público.

Quando a arte encontra a tecnologia

Novas possibilidades e concepções se abrem para a produção artística com a webarte,

que inclui telemática, produção colaborativa, pixel por pixel, arte conceitual e até

fotografia digital.

Por Salomão Terra

Em 1992, a francesa Anne Cauquelin no seu livro Arte Contemporânea – Uma introdução, apresenta ao leitor uma nova forma possível de arte, a Arte Tecnológica. Isso nos deu a possibilidade de falarmos em termos como Arte Telemática, Pixel art, Digital art, Net art, Wiki art, etc.

A autora utiliza de duas possibilidades para explicar o diálogo entre arte e tecnologia: a primeira das novas tecnologias seriam os suportes de divulgação; fenômeno recente da indústria fonográfica que tem o site Trama Virtual como exemplo. O site foi esponsável pelo lançamento de revelações no cenário musical como: “Cansei de Ser Sexi” e “Monbojó” a uma massa de jovens em busca de novidades.

Na segunda possibilidade temos a utilização de ambientes digitais para a própria construção do objeto artístico, como exemplo a Web arte, que foi definida como sendo toda obra concebida, produzida, exposta e distribuídas exclusivamente em ambientes digitais. Como exemplo citamos a produção de músicas virtuais (eletrônicas) com a utilização do software Fruity Loops, também a Fotografia Digital que utiliza o Photoshop para alcançar resultados muito superiores aos recursos analógicos, a Pixel art em que se obtém o desenho de uma obra via junção de vários pixels formando as imagens digitais e também a Wiki art ( termo proveniente da Wikipedia) onde as criações literárias são criadas através de grupos autores internautas, a múltiplas mãos. Desta ação surgiram obras como ‘Q’ e ‘54’ famoso exemplo do coletivo italiano Wu Ming Foundation.

Convém se dizer então que, colocadas tais questões, ainda há um vasto campo de análise sobre o assunto. Questões diversas ainda surgirão e outras tantas ficarão sem resposta. Resta apenas acessar “webartes” e acompanhar, in loco, a concepção de novas formas de fazer artístico.

Arte e Tecnologia – Texto 2

O texto “Arte e Tecnologia” de Ivana Bentes cita obras de vários artistas renomados que foram apresentadas na exposição Arte e Tecnologia no Paço das Artes (São Paulo) em outubro de 1997. Estas obras contribuíram de modo definitivo para a reinvenção da relação arte-tecnologia onde a arte encontra nas tecnologias emergentes um campo de experimentação.

Mas não basta uma nova tecnologia para se produzir uma nova estética. Em 1971, Waldemar Cordeiro fundia o técnico, o estético e o teórico na chamada “arteônica” com intenção de relacionar a arte com as telecomunicações. Entre os anos 60 e 70, muitos artistas realizaram experimentações que se voltavam para a pesquisa audiovisual, como o “quase-cinema” de Hélio Oiticica, transcendendo assim a função inicial do filme e do vídeo, ou seja, criando um novo processo e não apenas uma forma de registro ou transposição de obras pré-existentes.

As artes plásticas encontram na imagem em movimento não simplesmente um novo suporte, mas um novo processo, uma nova linguagem, criando obras hibridas que exploram as características da imagem, que agora pode funcionar como suporte/material/componente da obra.

Nos anos 80 o vídeo experimental passa a ser reconhecido como domínio estético autônomo, “impuro”, em que imagens em diferentes origens se combinam numa fusão de campos e mídias.

Nas vídeo-instalações, a relação entre ambiente e dramaturgia, imagem e interação, ressurge revitalizada, criando jogos em que o espectador é inserido num processo de criação da obra e onde as ideias ganham demonstrações visuais: dispositivos tecnico-estéticos.

A proposta tanto de uma neutralização das imagens e da memória quanto a problematização do seu saturamento é o motor na criação de “campos” e paisagens vídeo-digitais, fragmentos de informação e ruídos que podem compor uma “paisagem” mental onde o artista convida o público a descondicionar os olhos.

Segundo Ronaldo Kiel, na arte contemporânea é preciso “crer para ver”. É como se ela nos despertasse para a realidade e sem a qual nossos olhos não saberiam ver. Essa relação entre o visível e o invisível é decisiva na relação arte e tecnologia quando o tecnológico torna-se condição, suporte, dispositivo para “fazer ver o invisível”.

Do conceitual ao sensorial. Um dos desafios da arte contemporânea é criar um pathos, sensação, mas, como muitas ela não é capaz, acaba por ser acusada de produzir a indiferença na audiência que pretendia mobilizar e excitar, matar de tédio. Esse desejo de envolver o pensamento num êxtase estético faz o artista procurar uma maneira de mobilizar o expectador, inserindo-o no ambiente e colocando-o “em fase” com a obra.

A relação da arte-tecnologia é indissociável de um quadro científico e cultural que passa pelos mais diferentes saberes: informática, neurociência, cibernética, design, com uma valorização das ciências do vivo, em que o modelo biológico cruza com o maquínico, o industrial, o informático.

Nos anos 90 apareceram objetos/seres híbridos produzidos por uma “arte evolucionária” que torna a evolução biológica e as proposições da biotecnologia como questões a serem trabalhadas pela arte. A própria imagem digital ganha hoje características do ser vivo, inserindo-se no que poderíamos chamar de um “teatro da individuação”, a autoprdução da imagem por metamorfoses, anamorfoses, e uma capacidade de se auto-organizar, evoluir e se individualizar, como as imagens fractais e outras imagens de síntese. A imagem ganha características do vivo da mesma forma que o vivo torna-se objeto estético.

Pesquisar, criar e projetar:relações entre design, arte e tecnologia

arte, tecnologia e interdisciplinaridade

Podemos citar a interdisciplinaridade da história do design desde o final do sec. XIX e inicio do sec. XX, estava relecinada e intríseca. temos que considerar que a tecnologia pode influenciar ou estruturar as relações no campo do design. A implantação de novos sistemas e procesos tecnologicos gera novas maneiras de criação e produção, fato que implica em processos geradores de aprendizado na troca de conhecimentos, experiencias e competencias. A tentativa de separação entre design e arte tomou corpo no Brasil pela necessidade de afirmação desta area como em campo especifico de conhecimento e de atuação profissional.

As inter-relações que podem se estabelecer entre design, arte e tecnologia como campos diferentes que dialogam e geram diferenças ricas possibilidades de trocas.

As tecnologias digitais e novas mídias se fortaleceram tanto atualmente, como se ampliaram para o campo do design, tendo um resultado muito produtivo sobre as relaçoes entre design, arte e tecnologia.

design e cinema: caminho interdisciplinar

O TCC Glaber Rocha os dilemas do ícone brasileiro, desenvolvido no ano de 200, pelo grupo Buraco no Papel, optou pelo foco temático design e cinema. O TCC é constituído por uma pesquisa, um projeto de criação, um CD-Rom, um website e uma peça gráfica.

A relação design e cinema, arte e tecnologia se traduz de forma rica.

design: criação e novas mídias digitais pela nova geração de designers

Imagens estáticas e em movimentos, de diversas naturezas (fotos, ilustrações, desenhos, animações e vídeos) convivem e se integram com sons, ruídos, trilhas e músicas. todos estes elementos interaqgem e se harmonizam com textos, tipografias, escolhas cromáticas, de diagramação, de ambientes e conteúdos. O conjunto todo é pensado perante as questões do usuário, da liberdade, da navegação, interação, informação, estruturados no universo da linguagem projetual e, por sua vez, relacionando criação e tecnologia.

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