Resumo Grupo B: Arte e Tecnologia - Arte e Ciência
Interação Arte e Ciência
As fronteiras entre arte, ciência e tecnologia não se sustentam mais. E algumas exposições mostraram isso claramente, como Les Immatériaux, exposição organizada em 1985 por Jean-François Lyotard. Ela mostrava como imagens formadas por aparelhos eletrônicos poderiam também ser agradáveis no âmbito estético.
As imagens eletrônicas já povoam o imaginário do homem contemporâneo, porém esses artistas (que, por se utilizarem de conhecimento nas ciências exatas, da arte, entre outros, para construir suas obras, já nem sabemos como denominá-los) fazem surgir inúmeras possibilidades ao se apropriarem da tecnologia de várias formas, re-construindo seu modo de operar, adicionando novas funcionalidades, ampliando possibilidades nunca antes imaginadas pelos cientistas que as criaram.
Desde a Grécia até o Renascimento, a arte e a técnica andavam juntas, sem quaisquer distinções, como, por exemplo, Leonardo da Vinci, que pintava telas, mas também estudava a anatomia humana, entre várias outras coisas.
Vários outros movimentos artísticos mais recentes também se utilizavam de descobertas científicas. Ou seja, tudo tem caminhado para uma interação completa entre arte e ciência, uma influenciando a outra, fundindo-se em uma coisa só.
Há vários exemplos dessa integração arte/ciência/tecnologia no Brasil, entre elas Waldemar Cordeiro (considerado pioneiro), Mário Ramiro entre outros, cujos exemplos serão citados com mais clareza na apresentação oral.
Leonardo da Vinci: roteiro para um debate
Voltando para o Renascimento e para Leonardo da Vinci, vemos nele um exemplo perfeito da máxima interação entre arte e ciência.
Leonardo da Vinci, famoso artista e cientista dos séculos XV e XVI. Com múltiplas habilidades foi prestigiado por príncipes, reis e papas. Suas obras eram representações fieis a realidade, contrapondo-se a realidade idealizada de outros artistas de seu tempo.
Leonardo tinha sua obra associada a uma linha de pensamento mecanicista, diferenciando das linhas aristotélicas e platônicas.
Para muitos, Leonardo é considerado o maior gênio de todos os tempos, por atuar em diversas áreas da ciência e da arte. Entre suas habilidades, estão a de pintor, escultor, arquiteto, engenheiro, matemático, químico, botânico, geólogo, cartógrafo, físico, mecânico, escritor, poeta e outros. Mas sua principal atividade foi a de engenheiro de fortificações, máquinas e hidráulica.
Tem como grande influência o artista Verrochio, dono do atelier onde se formou quando jovem. Leonardo redesenhou e aperfeiçoou muitas máquinas inicialmente projetadas por engenheiros que o influenciaram como Brunelleschi, Mariano di Lacopo e Francisco di Giorgio.
Seu método de observação e rigor de suas representações gráficas freqüentemente acompanhadas por textos descritivos abriram novos caminhos no estudo e compreensão da natureza.
Leonardo defendia exaustivamente em seus textos a grande importância da pintura, demonstrando que essas obras eram mais precisas e representavam mais a realidade do que as poesias e palavras. “A ciência mais útil é aquela da qual o fruto é mais comunicável...”
Leonardo estudou a teoria da perspectiva e particularmente, o papel da luz e das sombras na representação pictórica.
As obras de Leonardo e outros cientistas de seu tempo formaram os princípios e valores com que se construiu a sociedade moderna e as tecnologias de nossos dias. Ele introduziu inúmeras inovações em muitas dessas máquinas, e observou detalhes da natureza que nunca foram percebidas antes. Para ele, era importante registrar a cada descoberta, suas aplicações, para que esta ciência não fique sem utilização.
Leonardo registrou inúmeras observações e propostas de experiências demonstrativas de mecânica e outras áreas. Para os historiadores, ele descreve e sugere realizar várias experiências, mas a maioria dos desenhos das máquinas não há registro de medidas numéricas que comprovem isso.
Abaixo, exemplos de experiências de física originais, que tiveram observações detalhadas de sua realização.
A força do atrito, Movimentos vibratórios, Propagação das ondas e superposição de movimentos ondulatórios na água, A semelhança entre o movimento do ar e da água, O comportamento dos vasos comunicantes, O princípio de continuidade dos fluxos de escoamento da água, Sobre a velocidade de circulação da água, A solução do problema de Alhazen, O arco-íris, A bússola.
Leonardo também escreveu várias reflexões sobre estudos de pintura, cores e desenho em perspectiva, ilustrando seu pensamento e método de trabalho.
Ele explica como se devem utilizar as técnicas para atingir um ótimo resultado. Exemplo disso é quando ele detalha as técnicas de perspectiva linear e seus limites. “Na pintura, três tipos de perspectiva são usados: diminuição do volume dos corpos opacos, diminuição e o apagar de seu contorno e diminuição e atenuamento da cor com a distância.”
Exemplos destas reflexões: A pintura e a perspectiva, A perspectiva linear e seus limites, Espelho como o mestre dos pintores, Contrastes de sombra e luz.
Para Leonardo, era imprescindível o bom relacionamento entre prática e teoria, visto que um sem o outro é o mesmo que um piloto que embarca sem timão e sem bússola, que não saberá nunca para onde vai. A prática deve sempre se basear num sólido conhecimento teórico.
Comparando a pintura com a poesia: Como dito anteriormente, Leonardo defende a grande importância da pintura em relação à poesia. O olho é a principal via pela qual se aprecia a obra da natureza. “... e se você poeta, pinta uma história com sua caneta, o pintor a retrata com um desenho, de modo mais satisfatório e menos aborrecido de ser entendido...”.
Leonardo também se meteu a desenhar e escrever projetos de uma “Cidade Ideal”, que foram reconstruídos em maquetes expostas na mostra “Leonardo Universal”.
Abaixo, pontos onde Leonardo evidencia sua preocupação:
Plano de uma cidade com vias em dois níveis, Como construir e manter limpa uma estrebaria.
Leonardo realizou projetos com esboços e descrições de objetos que visavam um grande feito entre os homens, que era o sonho do homem voar tornar-se possível.
Pára-quedas, Asas para voar e Helicóptero são exemplos de projetos seus.
Leonardo também deixou registros de um veículo automotor.
Arte, Arquitetura e Ciência no Renascimento Italiano
A arte de olhar e representar ganhou uma nova roupagem nos séculos XIV, XV, XVI. Conceitos desenvolvidos nessa época têm significado ainda hoje. Árabes e Banqueiros contribuíram em grande escala para o Renascimento. O confronto de idéias mostrou a existência de contradições e inconsistências. O novo olhar trazido pela perspectiva era compartilhado por quem questionava o movimento dos céus.
O movimento dos corpos nos céus é permanente, na terra é efêmero. Na antiguidade Heráclito fala sobre o movimento de rotação da terra. Tempos depois, Copérnico fala do movimento ao redor do Sol. A Gravidade é a força existente na Terra. Movimento uniforme e uniformemente variado.
A construção marca o início de uma nova fase na representação dos objetos, e da imitação da natureza. O espaço pictórico em Giotto e Lorenzetti.
Processos Criativos como Meios Eletrônicos: Poéticas Digitais
Um artista que procura cores formas, materiais, etc, não os tem como fim, mas como meio, portanto, não estão praticando ciência, dessa forma é preciso observar que não há uma arte científica, tampouco uma ciência artística, o que há, na verdade, é um “namoro”, uma relação por vezes amistosa e vantajosa entre ambas, uma vez que arte não tem compromisso com a verdade e sim com a estesia ou sensibilidade, algo instável.
Assim, a arte se mostra, mas não demonstra. No que tange esses conceitos, as ciências e as artes diferem principalmente no seguinte, que as primeiras devem visar resultados certos ou enormemente prováveis; as segundas podem esperar apenas resultados de probabilidades desconhecidas, com isso, podemos de certa forma, pensar que nas artes não ha solução porque simplesmente não ha problema, isso se torna claro quando olhamos e percebemos a história da arte, de como ela se apropria daquilo que esta a sua a volta, como a tecnologia influencia a arte e a mesma se utiliza disso para novos meios de expressão; o pensamento de cada época reflete-se em sua própria época.
Se tomarmos de exemplo em um processo industrial, percebemos arte e ciência em suas particularidades e peculiaridades. O processo é essencialmente cientifico ao analisar o modelo em partes, tendo um objetivo final, já o intercâmbio entre s partes, a montagem, a colagem, são fontes criativas surgidas da linha de montagem industrial, pois a ciência tem um propósito definido, entretanto, a arte não. Outro exemplo disso é como e a fotografia superou a crise das artes, não deixando a pintura de lado e tampouco a novo aparato técnico, provando mais uma vez que a arte não tem objetivos esperados como a ciência, e vive conforme a corrente de seu tempo, como fora mencionado anteriormente, e isso não parou assim; pouco mais adiante, no campo das imagens eletrônicas, foi trazido à tona novas possibilidades de representação de mundo, produzindo novas formas de linguagem de maneira a dividir essas imagens em três tipos.
Imagens eletrônicas: imagens de síntese; criadas totalmente por computador
Imagens processadas; imagens já existentes de um meio diferente e editadas por computador (tratamento de fotos)
Composições de imagens; imagens compostas; união de imagens
As imagens digitais são como a fotografia para as pinturas na época, John Cage diz: não é necessário renunciar ao passado; ao mudar as coisas, não e necessário perde-las. Com essa nova era e relações de arte ciência e tecnologia será preciso definir novos significados para obra de arte; criação; artista ou até mesmo autor.
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